Equinócio

Se há tempo para tudo debaixo do sol, é no outono que vivo mais intensamente. Quando a euforia do tardio entardecer do verão vai embora. Quando o dia e a noite voltam a ter um certo equilíbrio, tudo parece fazer mais sentido.

Se há tempo para tudo debaixo do sol, é no outono que faço minhas colheitas. Me casei no outono. Pari a Tarsila no outono. Perdi meu bebê no outono. E receberei o Ernesto no outono. Porque é no outono que a terra retribui tudo o que recebeu. Nosso suor, nosso esforço, a graça divina da chuva. Das flores que cuidamos na primavera, os frutos dão no outono.

Se há tempo para tudo debaixo do sol, é no outono que contemplo mais. Os dias de céu azul límpido, com o sol se esforçando para me aquecer. As noites frias. As manhãs de sereno.

Se há tempo para tudo debaixo do sol, é no outono que me encontro. Minha alma é outonal. Gosta de equilíbrio. Ama o sol, tanto quanto o frio ameno. Ama o dia, assim como a noite. Gosta de perder suas folhas, sabendo que está se preparando para um novo ciclo de vida. Gosta de receber os frutos daquilo que plantou.

Outono, seja bem-vindo. E traga consigo mais um fruto lindo, meu amor, meu filho Ernesto.

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